domingo, 11 de novembro de 2012

O Esporte Paraolímpico e suas várias realidades

 em Natal de 07 a 10 de Novembro o Congresso Brasileiro de Esporte Paraolímpico, foi um encontro que possibilitou reflexões sobre o movimento paraolímpico. Alguns trabalhos científicos  trouxeram relevância. Foi muito bom reencontrar amigos e conhecer os novos caminhos que a vida os reservou. A equipe Superar esteve presente, assim como várias outras instituições que compõem o movimento do esporte adaptado no Brasil.
O que me deixou estasiada foi ao retornar de Natal para o Rio, ainda no Aeroporto de Natal um homem cadeirante se aproximou e pediu dinheiro para o grupo que estava comigo, relatou que era atleta de uma instituição de Natal (prefiro não dizer o nome aqui) e que precisava fazer a manutenção de sua cadeira de rodas para jogar basquete. Olha...foi muito louco ouvir aquilo, acabando de voltar de um evento de tal grandiosidade que discutia exatamente sobre as políticas do Brasil voltadas para o esporte paraolímpico, os novos projetos, novas perspectivas para o Brasil e sem muito tempo passar me deparei com uma realidade completamente diferente...E aí brasil? É isso mesmo?

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Saúde Emocional no Casa Shopping



"SAÚDE EMOCIONAL - Como lidar com as tensões do trabalho", no Casa Shopping, RJ.
Os funcionários puderam parar pra pensar e refletir sobre as tensões do dia-a-dia e entender que tensão é normal, tensão estagna
da que não é. Por isso a importância de aprender a administrar o estresse. Foi um dia de muita troca.
Parabéns a iniciativa da equipe Casa Shopping por proporcionar este momento aos seus funcionários.
Carina Alves

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Festival Internacional de Filmes de Esporte no RJ

O 1 Festival Internacional de filmes de esporte acontece entre os dias 25 e 28 deste mês no Rio de Janeiro. Com efeito, depois dos Jogos Pan-americanos de 2007, em 2011, os Jogos Militares e, já no próximo ano, abriga o Campeonato Mundial de judô e será um dos principais palcos da Copa das Confederações, com a partida final no Maracanã. Uma boa preliminar para a Copa do Mundo de 2014, onde a capital carioca igualmente se destaca como sede da partida final, e também para os Jogos Olímpicos de 2016, quando o Rio passa a ser a primeira cidade da América do Sul a sediá-los.
A programação se encontra no site do evento: www.fife.com.br




segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A História do Esporte Paraolímpico

Os primeiros eventos competitivos voltados para pessoas com deficiência surgiram na Inglaterra e nos Estados Unidos, logo após a Segunda Guerra Mundial – muito em função de inúmeros ex-combatentes terem perdido membros ou a audição enquanto lutavam. 

Os primeiros jogos foram realizados em Stoke Mandeville, onde localizava-se um importante hospital e o Centro Nacional de Lesionados Medulares, em 1948. O Centro foi criado pelo governo inglês com a ajuda do neurologista Ludwig Guttmann para tratar os soldados feridos na guerra. Para tanto, os médicos adotaram o esporte como parte da reabilitação médica. Essa não era uma prática muito comum naquela época. Embora já acontecessem algumas promoções esportivas para portadores de deficiência, os Jogos de 1948 foram considerados um marco na história do esporte paraolímpico e ficaram mundialmente conhecidos como os Jogos de Stoke Mandeville, que reuniram 16 atletas, todos veteranos de guerra.
A realização dos Jogos de Stoke Mandeville, “coincidiu” com os Jogos Olímpicos de Londres, deixando claro, desde o início, o desejo do médico Ludwig Guttmann da criação de uma Olimpíada para as pessoas com deficiência. O sucesso do método implantado pelo neurologista com seus pacientes foi tão grande que, pouco a pouco, médicos do mundo inteiro passaram a usar o esporte também como uma nova forma de reabilitar seus pacientes.

E já que pessoas com deficiência de outros lugares, além da Inglaterra, estavam praticando esporte, nada melhor do que organizar uma nova competição. E foi assim que, em 1952, foram realizados os Jogos Internacionais de Mandeville, que reuniram nada menos do que 130 atletas ingleses e holandeses.
O sonho de Guttmann, porém, concretizou-se mesmo em 1960, com a realização dos Jogos Paraolímpicos de Roma, evento considerado pelo COIl, como o primeiro grande evento. Os Jogos Paraolímpicos de Roma, chamados de Olimpíadas das Pessoas com Deficiência, reuniram 400 atletas, de 23 países, porém, todos cadeirantes. A competição teve todo o apoio dos dirigentes mundiais e desde então, os Jogos Paraolímpicos passaram a ser realizados nas mesmas cidades e nas mesmas instalações dos Jogos Olímpicos.

“Guttmann está para os Jogos Paraolímpicos assim como Coubertin está para os Jogos Olímpicos da Era Moderna.” 

Desde então, o número de atetas e modalidades disputadas não parou mais de crescer. De 400 atletas e 23 países participantes nos Jogos de 1960, fomos para 4 mil atletas e 143 países nos Jogos de Atenas, em 2004. Além do aumento incrível no número de atletas, muita coisa evoluiu no esporte para pessoas com deficiencia de lá para cá. O esporte para pessoas com deficiência deixou de ser amador e passou a ser a atividade profissional dos atletas que passaram a buscar o alto rendimento nas competições.

Jogos Paraolímpicos
1960 - Roma400 atletas, apenas cadeirantes
1964 - Tóquioinclusão da corrida para homens e mulheres em cadeiras de rodas nos 60 m
1968 - Tel Aviintensa cobertura da mídia e quebra de 20 recordes mundiais
1972 – Heidelbergprimeira participação dos brasileiros
1976 – Torontojogos transmitidos ao vivo
1980 – Arnhemparalisados cerebrais disputaram pela primeira vez os Jogos Olímpicos
1984 – Nova Iorque e Stoke Mandevilleparticipação de 1.700 atletas de 45 países
1988 – Seulmarcou a história em função do avanço na tecnologia e profissionalização dos 3 mil atletas
1992 – Barcelonainclusão do tênis em cadeira de rodas em caráter competitivo e não mais demonstrativo; quebra de 280 recordes mundiais
1996 – Atlantaprimeira participação de atletas deficientes mentais em caráter competitivo
2000 – Sidneyos Jogos foram tão bem estruturados que a Paraolimpíada passou a ser o segundo maior evento esportivo do mundo
2004 – Atenasorganizado pela primeira vez pelo mesmo comitê organizador dos Jogos Olímpicos; disputado por quatro mil atletas; 19 modalidades


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Congresso de Filologia na UERJ


Este foi o tema do trabalho que apresentei numa das mesas do congresso:
Eliminando barreiras: a distância entre a interpretação da lei 10098 e a realidade da acessibilidade

O objetivo do estudo é interpretar o texto da lei 10098 conhecida como lei da acessibilidade que propõe a eliminação de barreiras sociais a pessoas com deficiência. Este trabalho configura-se como um estudo teórico e como um relato de experiência profissional, que apresenta o esporte como um instrumento para inclusão social. Discriminação e omissão marcaram a história de pessoas com deficiência, pessoas invisíveis socialmente. No entanto, as vidas dessas pessoas passaram por mudanças significativas quando tiveram contato com práticas esportivas. O esporte viabilizou além de uma nova inserção social, uma ressignificação identitária produzindo melhorias concretas nas condições de vidas de pessoas denominadas deficientes.  A lei 10098 estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade para pessoas com deficiência.  Esta análise revelou uma história marcada pela exclusão: de famílias simples e desinformadas, essas pessoas desconhecem direitos  elementares; revelou, também, avanços na legislação que discute a eliminação das barreiras sociais a pessoas com deficiência através do esporte.

Palavras- chave: Lei de acessibilidade, inclusão social, pessoas com deficiência, interpretação da lei, análise de discurso.

"Paralímpico ou Paraolímpico"

Antes, durante e após as paraolimpíadas de Londres continua a grande dúvida na cabeça de milhares de pessoas sobre o termo correto a ser empregado. Eu sempre falei paraolímpico e assim continuarei, mas pra quem ainda tem dúvidas, vejam esta reportagem:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/1149224-paralimpico-haja-bobagem-e-submissao.shtml


O meu querido amigo, vizinho, filho e irmão Márcio Ribeiro me pergunta, com o seu falar italianado e com influência do linguajar da Casa Verde, bairro paulistano em que passou boa parte da vida: "Ma que história é essa de 'paralímpico'? Emburreci, emburrecemos todos?". E não foi só o Márcio. Vários leitores escreveram diretamente para o jornal ou para mim para pedir explicações.
Não, meu caro Márcio, não emburreceste. Nem tu nem os leitores que se manifestaram. E, é bom que se diga logo, a Folha não embarcou nessa canoa furadésima, furadissíssima.
Parece que o Comitê Paralímpico Brasileiro adotou a forma "paralímpico" para se aproximar da grafia do nome do comitê internacional ("paralympic"). Por sinal, o de Portugal também emprega essa aberração --o deles se chama "Comité Paralímpico de Portugal" (com acento agudo mesmo em "comité").
É bom lembrar que o "par(a)-" da legítima forma portuguesa "paraolímpico" vem do grego, em que, de acordo com o "Houaiss", tem o sentido de "junto; ao lado de; ao longo de; para além de". Na nossa língua, ainda de acordo com o "Houaiss", esse prefixo ocorre com o sentido de "proximidade" ("paratireoide", "parágrafo"), de "oposição" ("paradoxo"), de "para além de" ("parapsicologia"), de "distúrbio" ("paraplegia", "paralexia") ou de "semelhança" ("parastêmone"). Os jogos são paraolímpicos porque são disputados à semelhança dos olímpicos.
Talvez seja desnecessário lembrar que esse "par(a)-" nada tem que ver com o "para" de "paraquedas" ou "para-raios", que é do verbo "parar" (não esqueçamos que o infame "Des/Acordo Ortográfico" eliminou o acento agudo da forma verbal "para").
Pois bem. A formação de "paraolímpico" é semelhante à de termos como "gastroenterologista", "gastroenterite", "hidroelétrico/a", "socioeconômico", das quais existem formas variantes, em que se suprime a vogal/fonema final do primeiro elemento (mas nunca a vogal/fonema inicial do segundo elemento): "gastrenterologia", "gastrenterite", "hidrelétrico/a", "socieconômico". O uso não registra preferência por um determinado tipo de processo: se tomarmos a dupla "hidroelétrico/hidrelétrico", por exemplo, veremos que a mais usada sem dúvida é a segunda; se tomarmos "socioeconômico/socieconômico", veremos que a vitória é da primeira.
O fato é que em português poderíamos perfeitamente ter também a forma "parolímpico", mas nunca "paralímpico", que, pelo jeito, não passa de macaquice, explicitação do invencível complexo de vira-lata (como dizia o grande Nélson Rodrigues). Pelo que sei, em inglês... Bem, dane-se o inglês. Danem-se os Estados Unidos, a Inglaterra e a língua inglesa.
Alta fonte de uma das nossas mais importantes emissoras de rádio me disse que o Comitê Paralímpico Brasileiro fez pressão para que a emissora adotasse a bobagem, digo, a forma americanoide, anglicoide ou seja lá o que for. A farsa é tão grande que, em algumas emissoras de rádio e de TV, os repórteres (que seguem ordens superiores) se esforçam para pronunciar a aberração, mas os atletas paraolímpicos logo se encarregam de pôr as coisas nos devidos lugares, já que, quando entrevistados, dão de ombros para a bobagem recém-pronunciada pelo entrevistador e dizem "paraolímpico", "paraolimpíada/s".
Eu gostaria também de trocar duas palavras sobre "brasuca/brazuca" e sobre o barulho causado pelo "porque" da presidente Dilma, mas o espaço acabou. Trato disso na semana que vem.
É isso.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012